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“VINTE ANOS DEPOIS, O A-HA MANTÉM INTACTA SUA EMPATIA COM OS CARIOCAS"
Trio norueguês faz show competente, cheio de sucessos dos anos 1980.
(Por Eduardo Fradkin)

Alguns compassos da suíte orquestral “Peer Gynt” serviram de abertura para o show do A-ha, na noite de anteontem, no Citibank Hall, na Barra. Ou seja, um trecho de uma obra do maior compositor clássico da Noruega, Edvard Grieg, inspirada num texto do maior dramaturgo daquele país, Henrik Ibsen, introduziu o espetáculo da maior banda pop surgida naquelas terras geladas. Só faltou o vocalista Morten Harket perguntar “Quem quer bacalhau?” e atirar postas do peixe à platéia para que fossem reunidos no mesmo lugar todos os principais produtos de exportação da Noruega. Contudo, Harket e seus colegas nada têm do estilo espalhafatoso de Chacrinha, que popularizou a frase. Carismáticos, mas com presença de palco discreta, eles se preocuparam unicamente em dar ao público de 6.700 pessoas um show com vários sucessos do passado e algumas músicas da fase atual da banda, inclusive de um disco que ainda nem lançaram.
O show de duas horas começou às 22h com “Living a boy’s adventure tale”, do primeiro disco do A-ha, “Hunting high and low”, de 1985. O trio, aliás, vira quinteto no palco. Além do citado cantor, do guitarrista Paul Waaktaar-Savoy e do tecladista Magne Furuholmen, há um baterista e um DJ. Cientes do poder de seu passado, eles tocaram seis das dez faixas de seu primeiro disco. As outras cinco foram “Take on me” – que fechou o show, e na qual Harket teve dificuldades para atingir os agudos –, “The Sun always shines on TV”, também no bis, a faixa título, “Train of thought” e “I dream myself alive”.
– Vocês são um público sensacional – elogiou o simpático Harket diante da multidão de saudosistas, distribuindo autógrafos no gargarejo.

Banda Tocou para multidões nos anos 1980 e 1990
O público, formado em grande parte por gente com mais de 30 anos e boas recordações da adolescência, na década de 1980 e início da de 1990, cantou animado as músicas antigas, de quando o A-ha estava no topo das paradas.
Naquela época, os noruegueses vieram ao Brasil para show lotados na Praça da Apoteose, em 1989, e no Rock in Rio 2, em 1991.
– Não me lembro muito do show na Apoteose, só que foi uma coisa grandiosa, mas era pequena, tinha 13 anos. Meu pai me levou. Ela acha até hoje que foi um show do ABBA. – lembrava a jornalista Andrea Pessoa. – Adorei o show de hoje (quinta) porque me trouxe muitas recordações boas. O bis foi a melhor parte, porque teve “The sun always shines on TV” e “Take on me”.
Ela nem percebeu que um dos grandes sucessos daquela época, “You are the one”, do disco “Stay on these roads”, de 1988, não foi tocado. Uma parte do público clamou por essa música após o fim do show. Em compensação, a banda tocou a linda balada que dá nome àquele disco, uma das que o povo cantou com mais emoção. No fim, todos foram embora felizes.

 

Fonte: O Globo, 28.03.2009 - jornal impresso

 

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