Entrevista à Massiv
 

Oito filhos depois de "Take on Me" e cinco anos depois do último álbum o a-ha está de volta. Desta vez o mais novo (dos três) não será tão tímido.

-Eu tenho lido antigos artigos sobre o a-ha. Encontrei a descrição:
"Magne faz um feliz passeio até a piscina " – foi você, dos meninos do a-ha, o que viveu mais o sonho de estrela do rock?

-Até onde uma piscina tem algo a ver com o sonho do rock, definitivamente sim. Eu geralmente era o que mais olhava pra fora e era mais dado a este tipo de experiência do que os outros dois. Pelo espelho retrovisor, eu acho que eu era realmente muito tímido.

-Estamos de volta ao passado. Numa entrevista com o VG em setembro de 1985 você realmente pegou a revista pela boca. "Fucking podre! Foi como nós experimentamos parte da indústria da música nos EUA, conta Magne Furuholmen ao VG". O que era tão podre?

-Não, é que realmente foi uma surpresa, para garotos noruegueses inexperientes e idealistas, que a indústria da música fosse tão cínica num grau tão grande. Nós acreditávamso que era suficiente tocar boa música. Nosso primeiro encontro brutal com a realidade foi quando nós nos recusamos a dar festas nos bastidores (backstage parties) para os dj´s das rádios locais, durante a turnê nos Estados Unidos. Fim de jogo. Esqueça o a-ha.

-“Tentações com as drogas, mulheres e os milhões fáceis foi o que Magne e seus dois companheiros do a-ha, Paul Waaktaar e Morten Harket, rejeitaram veementemente”, estava em uma entrevista antiga. Vocês realmente passaram ao longe disso tudo?

-Haha. Ninguém me ofereceu os milhões fáceis! Não é algo que você passa ao longe. Nunca estivemos num ambiente onde o álcool e as drogas fluíssem. Nós navegamos pela indústria da música sem ser afetados, mas com a alma enfraquecida. Mulheres nós já tínhamos antes, gostávamos de levá-las junto.


-“Em Nova Iorque os três rapazes noruegueses receberam oferta de mais de um milhão de coroas norueguesas para fazer um comercial de tv de 30 segundos para uma marca de spray de cabelo. Teria sido prostituição se nós tivéssemos nos encontrado com Relações Públicas de um spray de cabelo. Nós não somos um produto. Nós não somos modelos. Nós somos músicos, repete Magne.“ Vocês teriam recusado algo do tipo hoje também?

-Orgulho antes da queda. Nós fizemos de fato um reclame similar e idiota no Japão naquela mesma época, então eu não posso sentar no alto do cavalo. Há algumas coisas com as quais vivo bem, e de algumas eu me arrependo, mas eu tenho mais orgulho é da nossa campanha para a linha de produtos para cabelo "Manndom" (Manhood) usando roupas de golfe dos anos 30. Um clássico. Meu cabelo nunca esteve tão horroroso.

-“Em Nova Iorque vocês também tiveram experiência com um caso sensasional que virou frisson na imprensa americana. Um dos concorrentes do a-ha pelo topo dos charts, o Wham, que hoje também é uma das bandas
pop mais populares dos EUA, foi explusa de um restaurante porque eles se sentaram e se drogaram. "George Michael e Andrew Ridgeley do Wham são uma fraude. Eles dirigem «a imagem», uma fachada de dois rapazes saudáveis. Realmente eles são podres, diz Magne.” Você pode contar esta história?

-Eu realmente usei a expressão "podre (fucking rotten)" duas vezes na vida? Nada bom. Eu era bem jovem, sem rabo preso com nada e escandalizado.
Devo admitir que hoje sou bem menos preocupado com o que o Wham ou outros fazem ou deixam de fazer consigo mesmos. As pessoas fazem com elas o que quiserem. Exageros honestamente sempre foram um problema para mim, mas eu aprendi.

-A música que o a-ha faz é arte?

-A sua pergunta assume que o termo arte tem alguma coisa a ver com qualidade, e eu creio que esta não é uma definição relevante.
Nós fazemos música ambiciosa, divergente e divertida, destinada a evocar curiosidade, entusiasmo, confusão e irritação. Isso é suficiente.

-Seu álbum solo obteve boas críticas, mas não virou um evidente sucesso comercial...

-Hehe! Como você ousa! Os dois álbuns solos estão esgotados! Foram feitos em edições muito limitadas. Não, mas quando se cria num grande maquinário como o a-ha, é bastante ok fazer coisas menores e num formato mais pessoal. Agora, receber boas críticas é uma coisa – muito mais importante é o disco de fato existir e ser capaz de encontrar ouvintes que, daqui a três gerações ainda encontrem siginificado nele.

-Quando você e Chris Martin ficaram amigos?

-Nós encontramos o Coldplay em Barcelona há muitos anos e mantivemos contato. Eu sou padrinho da filha do baixista Guy Berryman, que com o tempo virou meu melhor amigo. Eu acho que Chris é um cara inspirado que tem um talento distinto e uma esposa legal.

-Há mais colaborações entre vocês?

-Sim.

-Eu ouvi dizer que Gwyneth Paltrow é super fã do a-ha?

-Sim, assim diz ela.

-Que tal usá-la num disco ou um vídeo?

-Não. Eu não poderia pedir. Eu sei como eu me sentiria se alguém me pedisse algo na mesma situação.

-Você começou uma banda com o baixista do Coldplay Guy Berryman e o vocalista do Mew Jonas Bjerre?

-Você que dizer o Apparatjik? Bem, atualmente somos primeiro uma “pensão de esquiadores” (um grupo de amigos). Mas é mais sobre desenvolver uma colaboração musical excitante. O quarto homem é o protudor e virtuoso Martin Terefe. Tem sido maravilhoso.

-Vocês ensaiam muito juntos?

-Hey, keep your pantyhose on (não tire sua meia-calça)! Agora é o a-ha, falamos de Apparatjik depois. Diferentemente das outras bandas em que estamos, o Apparatjik é uma banda com a menor bagagem e a maior motivação. Nós já fizemos muita coisa legal juntos, de música para vídeos amadores, projetos de arte mais ou menos inteligíveis, a labirintos na internet. O divertido desse projeto é que recarrega todas as baterias, e nós já temos uma oferta para um álbum internacional, com um gerenciamento de matar (muito bom).

-Agora que o a-ha está em turnê, vocês viajam juntos ou separados?


-Depende da praticidade. Mas é estranho a forma como é sempre conveniente para cada um de nós viajar separados.

-Vocês andam juntos fora dos concertos?

-Morten passa tempo com seus braços, mas é um tipo de exercício para as partes superiores do corpo. Caso contrário, a fórmula pra estar junto é imprevisível. É muito gostoso ter pequenas pausas.

-Então é com prazer que vocês ligam o maquinário do a-ha para todo álbum?

-Sim.

-Quanto tempo você acha que a banda vai durar?

-Até julho deste ano, talvez até mais.

-Você é primeiramente músico ou artista?

-Primeiramente dou dono de cachorros, depois pai e filho, depois um marido inútil, depois um workahólico racionalista.

-Qual é a história da carta que o Michael Jackson mandou para vocês
depois do álbum Hunting High and Low? Vocês se encontraram alguma
vez? Falaram em trabalhar juntos?

-Michael Jackson foi dono das nossas músicas por um período e
nos convidou para Neverland. Nós agradecemos e recusamos. Tão
burros que éramos.

-Dagbladet escreveu que "«Foot of the Mountain» é o primeiro álbum da banda em que eles admitem que eles são uma pequena coleção de homens de meia-idade. " Vocês realmente admitem isso?

-Eu não entendo de onde eles tiram isso! Que querem dizer com “admitir”?


-Não tenho idéia.

-Se eles acham que a música soa como de meia-idade, eu não concordo. Medieval, talvez. Ao mesmo tempo é completamente fora de contexto tentar soar como se tivéssemos 18 anos. A perspectiva de onde se olha é diferente.

-Quão importante é a parte financeira do a-ha como motivação?


-É fácil se acostumar a ganhar mais e mais. Não tão fácil de se acostumar a ganhar menos e menos.

-Qual é a melhor coisa de ser uma celebridade?

-Que as pessoas te parem na rua e queiram tirar fotografia quando você está azedo em com o cabelo achatado.

-Haha. Você havia dito antes que era o fato de as pessoas finalmente rirem de suas piadas.

-Sim, não é?

-Vocês desistiram dos EUA ou ainda vivem o sonho?

-Não fomos nós que desistimos dos Estados Unidos. Eles é que desistiram da gente.

-Você comentou uma vez que Morten era uma "fábrica de esperma". Então ele tinha três filhos. Recentemente ele teve o quinto filho. Do que você o chama agora?

-Esta citação eu gostaria de ver! Aquilo não tinha nada a ver com a família ou filhos dele. No entanto, eu posso dizer com uma mão no coração que eu não conheço alguém tão interessado em mulheres, e em dar os detalhes correspondentes, como Morten. Pode ser o que eu tenha tentado dizer na época, embora de maneira grosseira. Morten é muito preocupado, e muito cuidadoso em suas observações sobre seus filhos. Eu acredito, por exemplo, que nenhum filho dele tem consciência do que eu sei sobre eles.

-Você pode descrever Morten e Paul? E a você mesmo.

-Nós somos três fósforos usados que ainda podem pegar fogo perto da chama.

-As ambições ainda são grandes?

-São diferentes.

-Bjørn Eidsvåg casou você, vocês ainda são amigos?

-Eu estou na lista de pessoas para quem Bjørn manda sms até quando a vida dele sorri ou chora. Bjørn é um cara complexo e interessante que insiste em ser simples e popular.

-Bem dito. A pergunta da semana, mas no entanto - qual é o segredo? Você
e sua esposa estudaram juntos, sobreviveram a uma das maiores carreiras artísticas internacionais da Noruega, alguma dica?

-Encontre alguém como Heidi.

-O comediante americano Chris Rock é famoso pela sitação:
"Um homem é tão fiel quanto suas opções", mas talvez nem todos?

-Não posso dizer que me encaixo nessa, não.

-Olhe para trás na sua carreira com o a-ha. Qual a melhor e a pior coisa que esta carreira lhe deu?

-Dor de estômago, arritmia cardíaca, stress e zumbido crônico
nos ouvidos. Estas foram as melhores. Das piores a gente não fala.

–Eu escutei que você andava com um caçador chamado Phil, enquanto vocês gravavam um álbum do Prince – vocês pegaram algum bicho?


-Morten e eu compramos arcos e flechas do Phil. Nós até chegamos a deitar e tocar apitos (para atrair caça), mas nós nunca atiramos em nada. Phil morreu mais tarde de câncer, tragicamente. É difícil dizer se tinha algo a ver com o terrível café que ele bebia, mas com certeza eu penso desproporcionalmente em Phil com relação ao número de dias que o conheci. Assim é a vida. Algumas pessoas e seus destinos nos tocam em proporções que não nos damos conta até que seja muito tarde.

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Entrevista com Paul Waaktaar-Savoy para a Massiv


Um tipo de monstro

-Os Metallica viram menininhos quando se trata de conflitos internos. Agora Paul Waaktaar-Savoy fala sobre as dificuldades ao redor da gravação do último álbum do a-ha.

-Desde que nós alcançamos o Top 10 na Inglaterra novamente com o single “Analogue” de nosso penúltimo álbum, foi uma grande experiência para mim. Como de costume a gravação havia tomado muito tempo, mas só a música (Analogue) teve que ficar pronta em cinco dias, incluindo a mixagem, o que é incrivelmente delicioso. Eu senti que tudo estava fácil novamente. O mesmo ocorreu com muitas das músicas de “Foot of the Mountain”, que foram concebidas nos seis meses depois daquilo (Analogue). “Nothing is Keeping You Here” veio primeiro. Depois muitas das outras. Muitas foram escritas quando ainda estávamos em turnê, e também durante viagem pelos EUA. Depois disso, elas deram uma noção de que poderiam virar um álbum.

-Mas como funciona isso? Quem pega o telefone e diz: “Agora vamos fazer um novo disco”?

-Cada vez é uma volta pra nós. Depois de todo álbum nós pensamos que “agora não conseguiremos mais”. Mas então a coisa começa a crescer de novo, eventualmente. Levou um longo tempo para este disco sair. Tanto Morten como Magne fizeram álbuns solo. Então comecamos a trabalhar neste álbum setembro passado.

-Vocês escrevem sempre para vocês?

-Isso nós fazemos desde o primeiro dia. Se nós escrevemos juntos geralmente são duas músicas que costuramos juntos – o que funcionar melhor.

-Qual é o tema para este disco?

-Prefiro dizer uma linha, então? Eu estou bastante satisfeito com a linha que está neste álbum. Eu acho que talvez os dois anteriores tenham algo que se destaca no material. Aqui (FOTM) tem uma linha vermelha que corre por todo o disco. As músicas se comunicam umas com as outras. E pela primeira vez eu consegui escrever letras junto com as melodias. Normalmente eu preciso de um mês para ajustar o texto. É uma nova onda. Eu sinto que temos muito para alcançar. Cada música tem sua própria cara. Nós conseguimos fazer pessoalmente sem excluir nada.

-No entanto, como é que vira um disco a cada vez? É voce que liga para o Magne?

-Consequentemente. Nós fazemos as demos. Alguns esboços são tocados em violão para Morten, e nós ouvimos como ele soa. E se ele vai se empolgar em cantá-la ou não. Eu estou na Noruega geralmente nos meses de verão, então temos, por exemplo, uma sessão e tocamos 6 ou 7 demos. Quem liga pra quem eu não lembro.

-Og rent kranglemessig? E as brigas?

-Ali nós obedecemos ao bom e velho padrão. Temos pouco a defender neste aspecto. Mas o mais importante é que terminamos numa posição em que todos estão felizes com o que está no album. Feito próximo do outono.

-Como foi a gravação?

-Dupla. A primeira versão foi gravada em NY com Mark Saunders. Foi a primeira vez, em um longo período, que alugamos um estúdio por dois meses com um produtor. Nós fizemos à moda antiga, como os primeiros cinco álbums. Eu acredito que todos gostaram. Mas ainda não estávamos completamente prontos. Saunders é um produtor legal (cool) que trabalhou com The Cure e mais outros músicos legais (cool), mas talvez nem tantos singles. Nós achamos que não tínhamos o primeiro single pronto. Então o álbum foi dividido entre Steve Osborne, que trabalhou com New Order, Starsailor e Happy Mondays, e Roland Spremberg que fez nosso "Minor Earth Major Sky". O álbum é uma mistura de três produtores. A finalização foi o período mais tedioso. Cada produtor estava em seu país, Magne e Morten em Oslo, e eu em New York. Não é o ideal.

-Diga-me, vocês riem de todas as brigas no dia que o álbum fica pronto e vocês já não podem mais fazer nada com ele?

-Hmmmm. Bem. Eu quero dizer que nós deixamos pra lá depois. Fazemos isso há muitos anos. Tem realmente sido um problema com a banda neste sentido. Porque nós não temos baixo e bateria nós não podemos ir pro stúdio e gravar a nós mesmos até um resultado que satisfaça a todos. É muito trabalho exaustivo que nós poderíamos evitar se pudessemos tocar juntos.

-Você assistiu ao documentário do Metallica "Some Kind of Monster" onde eles brigam tão sério?

-Nós os deixamos na poeira de longe (Nós somos muito pior que eles).

-Vocês fazem isso?

-Sim.

-Sério?


-Na nossa sabedoria, sim. Não temos Lars Ulrich ou James Hetfield. Eles têm seus próprios problemas para resolver. Mas nos transformamos neles quando brigamos. De qualquer maneira, nós tocamos recentemente para o pessoal do rádio na Inglaterra, e lá foi dito que nós detemos o recorde mundial para trio que permaneceu mais tempo junto. Dessa maneira é que aguentamos muita porrada. E a regra de ouro é que se nós sentimos que o álbum vale a pena, queremos que venham mais (discos).

-Então agora vocês são amigos de novo?

-Agora é só relaxar novamente. Tocar. As turnês estão marcadas e é muito legal sair em turnê com o a-ha. Nós tocamos para uma vasta gama de espectadores de várias faixas de idade. E fazemos grandes sets em arenas também. Em novembro faremos o Oslo Spektrum aqui em casa duas vezes seguidas.

-Você pode descrever Magne e Morten?

-Eu não tenho muita vontade de fazer isso. Eu me abstenho de fazê-lo.

-Eu encontrei um velho artigo de jornal onde o jornalistra se refere a vocês como: ”Vocês são personalidades fortes com percepções claras ao máximo. Morten está repentinamente numa discussão profunda sobre as diferenças entre protestantismo norueguês e a crença judaica. Pål interroga-se curiosamente sobre as condições e os padrões de vida – ou se puxa de volta aos instrumentos e a seu querido companheiro, o caderno de desenho. Seus desenhos, novos textos, impressões – tudo junto. Magne faz um feliz passeio até a piscina." Era verdade naquela vez?

-Isso foi verdade alguma vez? Eu posso alongar-me e dizer que muito pouco correto.


-O bom e velho clichê – este é o melhor álbum de vocês?


-Eu não sei. Eu estou muito feliz com ele. Os doisúltimos discos sairam logo na sequência de um álbum do Savoy, então eu tinha um pouco de pressão para escreverl. Dessa vez eu tinha material excedente.

-Você é quem escreve mais?

-Eu tenho escrito demais.

-O que está a caminho com o Savoy?

-Eu não tenho tido tempo de pensar nisso nos últimos dois anos. Mas há muita coisa em progresso. Eu tenho vontadede experimentar algo novo.

-Com a Lauren?

-Ela trabalha muito com filme ultimamente. Mas nós trabalhamos sempre juntos. Nós somos juntos, sempre.

-Quando você disse que não teve tempo de pensar no Savoy, foi por causa
do novo álbum do a-ha?

-Sim, anda-se e cozinha-se sempre. Pense nisso. Trabalha-se com muito mais músicas do que as que acabam no álbum.

-Você escreveu todas as músicas pensando no a-ha?

-As músicas vem porque eu acho que são legais. Eu escrevo música, e se ela serve para o a-ha, eu uso no a-ha.

-Você nao vai voltar para casa (Noruega) em breve?

-E difícil. Angie comecou a quinta série e vai muito bem. New York é uma cidade difícil de cansar. E eu não vivo nada de a-ha estando lá. Ninguém me conhece. Então eu venho para a Europa e entro no papel. Funciona muito bem para mim.

-Você conhece os meninos do Stargate?

-Sim. Há uma música no álbum chamada “Shadowside”. Eu escrevi esta música para um dos artistas deles, mas desisiti do projeto, e ela serviu muito bem, uma vez que combina tão bem com Morten. Então sem o Stargate, eu não teria escrito esta música. Eu tenho procurado esses desafios, porque eu crio coisas que caso contrário não teria escrito. Eu também vejo muito Sondre Lerche que também acabou de lançar um album muito, muito bom.

-Você esteve envolvido nele?

-Sim, ele pegou um microfone emprestado,hehe. Mas o álbum e realmente kick-ass.

-Você escreveu alguma coisa em especial para outros artistas?

-De fato, nao.

-Você tem pensado nisso?

-Sim. Você pode sentir pressão ligeiramente diferente. Eu vou a outros lugares dentro de mim e encontro outras coisas. Você sabe, eu vejo Tor Erik do Stargate, eles vem com uma música nova todos os dias. Eu tenho vontade de chegar a este ponto. Nem todas as músicas precisam levar anos e dias pra fazer.

-Tor Erik do Stargate é um dos maiores fãs do Prince na Noruega, vocês falaram com Prince sobre o álbum que eles gravaram em estúdio?


-Eu contei a ele, sim. Mas eu acho que ele tem estado mais próximo do Prince do que nós.

-Eu achei um artigo antigo sobre o fato de Michael Jackson querer vir trabalhar com vocês?

-Sim, houve um diálogo ali, mas não me lembro sobre o que. Ele é dono da empresa que detém os direitos de parte das músicas do a-ha. Nós fizemos um concerto em Los Angeles onde ele sentou na primeira fila com Sophia Loren. Eu lembro que eu me senti especialmente rígido aquela noite.

-Wow! Você falou com eles depois? Você captou o olhar dela?

-Não. Eles chegaram de mansinho depois que o show começou e sairam antes de acabar, os dois de óculos escuros e Michael de máscara cirúrgica. No meio do show o Morten tropeçou num monitor e aterrisou em frente das pernas deles, então tenho certeza que causamos uma impressão, de um jeito ou de outro.

-Michael Jackson escreveu uma carta pra vocês, vocês ainda a tem?

-Neste caso nosso manager na época, Terry Slater, mas muito daquele tempo se perdeu.

-A respeito de Slater, vocês ainda são amigos?

-Sim. Nos vemos aqui e ali.

-Depois de mais de 20 anos como banda, qual é a motivação?

-É uma vida excitande. Nós experimentamos muito, vimos muita coisa. Conhecemos gente de todos os cantos do mundo que tem uma relação
com a nossa música.

-Há tanto dinheiro envolvido – é uma motivação positiva ou negativa?

-Nós fomos a London para ficar famosos. O A-ha depende do fato de atingir um grande número de ouvintes. Quando "Memorial Beach" vendeu menos que o esperado, tomamos um break de 7 anos. Se ele tivesse vendido muito, o álbum seguinte teria saído três anos mais cedo. O dinheiro também tem o seu papel. Nós por exemplo nunca mais fizemos turnê nos EUA depois da primeira, quando vimos que poderiamos encher grandes auditórios em outros lugares.

-Quanto você ganhou com o a-ha?

-Eu passei um fax com o meu extrato. Você recebeu?

-Haha. Houve conflitos internos quanto a divisão do dinheiro?

-Houve conflitos internos sobre quase tudo.

-Você, para todos nós que não somos vocês. Quão louco foi o fim dos anos 80? Eu li alguns artigos onde vocês reclamavam do Duran Duran, fizeram fofoca sobre o Wham, receberam elogios de Elton John e Dianne Warwick quis tirar uma foto com vocês.

-Sim, está correto, nós tiramos uma foto com Dianne Warwick.

-Vocês desistiram dos EUA ou ainda vivem o sonho?

-O plano é, como sempre, fazer uma turnê pelos EUA ano que vem.

-O que seu filho Angie acha dos antigos vídeos com o a-ha?

-”Oh, papai, você era tão fofo!”

-Você foi batizado Pål Waaktaar Gamst. Você é parente do astro de futebol Morten Gamst Pedersen?

-Oh, sim. Eu falei com meu pai, ele disse que somos parentes em quinto ou sexto grau. Meu filho pergunta frequentemente: ”Eu sou realmente parente do Morten Gamst Pedersen”?

-Seu filho é fã de futebol?

-Ele vira cada vez que chegamos a Noruega.

-É muito engracado. Sobre isso eu devo falar com Morten Gamst.

DEZ MINUTOS DEPOIS. RING. RING. RING.

- Oi, aqui é Morten.

- Oi Morten. Tudo beml? Você é parente de Paul Waaktaar-Savoy?


- Haha. Sim. Tudo bem por aqui. Eu recebi sua mensagem. Eu estou no aniversário de 80 anos de minha avó materna. Eu perguntei a eles aqui. Eles dizem que somos os mesmos Gamst, mas não sabem qual o grau de parentesco.

- Você o conheceu?

- Eu conheci Harket e assisti a-ha, mas não sei se conheci Paul.

- Voce é fã?

- a-ha é muito grande.Toda a Inglaterra sabe quem é o a-ha. Morten eu conheci por acaso na loja Voga semana passada, ele queria roupas para uma sessão de fotos.

- Haha. Era para nós!

- Correto! Era para MASSIV, sim. Haha.

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Estrela. Ponto.

Morten Harket diz que todos que não o compreendem devem tomar cuidado para não ser mortos.

-O que aconteceu entre você e o jornalista do VG nesta primavera? Foi comentado que você disse a ele: "Não me espanta o fato de você não ter bolas. Deve ser esquisito. Não ter bolas. Como você se sente realmente?"

-Nós também nos perguntamos isso. Nos divertimos.

-Quantas bolas você tem?

-Eu não penso nisso.

-Um de vocês sempre diz que, juntamente com um novo álbum do a-ha, há ” três personalidades fortes envolvidas”. O que vocês realmente querem dizer com isso?

-É uma resposta vazia (genérica) para uma pergunta vazia (genérica).


-Vocês se telefonam para Magne e Paul no âmbito particular (fora do trabalho)?


-Sim, sempre tendemos a nos telefonas quando estamos na privada. É muito agradável.

-Como você cuida da sua voz?

-Eu pratico somente quando vou atuar com meu pai e minha família nas reuniões da bíblia família na casa de tia Magny e tio Bernt em Kvarstein.

-Quanto são verdadeiros os rumores sobre sua vaidade?

-Os rumores sobre minha vaidade são verdadeiros.

-Puxa vida, Morten. Você assistiu Zoolander?

-Não.

-Você atua no cinema como pai de Alexander Rybak e marido de Aylar em «Yohan Barnevandreren», você ainda tem ambições de ser ator?


-Eu nunca tive ambição de ser ator.

-Mas você não atuou em Camilla og Tyven (Camilla e o Ladrão) também? E recebeu algumas ofertas de Hollywood. Conte-nos.

-Minha participação em Camilla og Tyven, tanto como em Barnevandreren, não são resultado de ambições de ator. Se eu tivesse essaambição, eu teria aceitado trabalhar com John Hurt e Helen Mirren.

-Como foi trabalhar com Rybak e Aylar?

-Eu não trabalhei realmente com Aylar. Eu apenas brinquei com ela, enquanto com Rybak sim.

-Como foi brincar com Aylar?

-Se você precisa de um manual para brincar, nunca haverá brincadeira.


-O quanto você era antenado em moda nos anos 80?

-Eu era mais preocupado com identidade, e isso não é a mesma coisa.


-Você era seu próprio stylist?

-É mesmo tão necessário fazer este tipo de pergunta?

-Quão estranho é realmente quando Morten Harket anda na rua no Brasil?

-Posso dizer que é recomendável.

-Nos dê mais detalhes. Escutamos histórias de meninas gritando e guarda costas, qual a verdade!

-A verdadeira história precisa ser vivida, bem como a verdade.

-Você é um estrela pop ou uma estrela do rock?

-Sou uma estrela. Ponto.

-Quão difícil é para um manager de turnê trabalhar com:

A.) Sua dieta de trigo (pergunta extremamente capciosa e difícil de traduzir)

-Eu espero mesmo que meu tour manager não mexa com isso.

B.) As lavagens intestinais de Magne

-Magne tem uma enorme habilidade em ser charmosamente manipulador. Se você não o conhece, você terá seus intestinos lavados ou alguma outra coisa bem nojenta antes que se dê conta...

-Haha. Ele enganou você?

-Se Magne engana você, você nunca perceberá. Portanto, eu não posso responder.

C.) Paul tem um problema estranho de saúde para se preocupar? (porque
um tem dieta restrita e outro precisa de lavagens intestinais)

-Você deve perguntar ao Paul.

-Sobre Paul. Você confirma ter queimado todas as roupas dele e comprado roupas novas para ele quando vieram juntos para Londres nos anos 80?

-É verdade que cutucamos ele um pouco a respeito das roupas no início.


-Você vai se casar?

-Paul e Magne já são casados, então este trem já partiu.

-E com sua companheira Inez?

-Eu não acho apropriado responder por ela.

-O que Jan Jacobsen faz, uma vez que você adoeceu apenas 2 ou 3 vezes em 25 anos?

-Cura pessoas.

-Você não está contando tudo. Mas o que ele faz de concreto? Explique um pouco!

- Eu não te faria chegar perto de entender.

-Você leu o livro sobre Snåsamannen? (é um curandeiro que cura com as mãos aqui na Noreuga). Você o conhece?

-Não.

-Porque você emprestou seu curandeiro para Mira Craig?

-Jan não pertence a mim. Tenho apenas sorte de conhecê-lo.

-Mas foi você que os apresentou?

-Não, nesse caso foi o Senhor.

-Quanto é que uma bunda é mais importante que a personalidade de uma garota? A da Mira Craig seria?

-A bunda da Mira Craig é diretamente proporcional à personalidade dela.

-Haha! Quero saber mais sobre isso!

-Então você precisa parar de pedir para eu explicar tudo. Sobre isso você não vai saber mais nada.

-Puxa! O que você pensou quando Chris Martin disse que você era o homem
mais lindo do mundo?

-Eu não tenho problemas com isso.

-Não ficou nem um pouquinho feliz?

-Já disse que não tenho problemas com isso.

-Como teria sido a vida sem o sucesso de Take on Me?

-Cheia de outros sucessos, que levariam à mesma pergunta.

-Muito justo. As pessoas viram um pouco “diva” por fazer sucesso? E se sim, o narcisismo é constante ou aumenta de acordo com a atenção recebida?

-De quem você fala? De gente que não teve sucesso ou de gente que terá, que poderá ter tendência a virar diva. Eu observo gente que teve sucesso e ficou mais humilde.

-Você já se procurou no Google?

-Eu não procuro nada no Google.

-Que tipos de livro você lê?

-O mais divertido são literatura de crime. Estou explorando a paisagem de névoa.

-Qual é o seu hobby mais importante?

-Eu gosto de me movimentar na natureza. Então eu entro na natureza.

-Muito bem dito. Você assiste tv?

-Sim.

-O que? Senkveld? Migrapolis? Hotell Cæsar? Puls? (programas da tv norueguesa)


-Eu gosto de bons documentários. Bons programas de debate quase não se encontra mais, infelizmente..

-Com é ver sua filha seguir seus passos? Você fica mais orgulhoso ou assustado?

- Ela faz seus próprios passos. Ela não segue os meus.

-O que você pensa sobre ter 66 anos quando sua filha mais nova Carmen tiver 18?

-Eu fico apenas feliz de pensar nela com 18 anos.

-Como é possível lidar com ter filhos com três mulheres diferentes – fica bastante organizado?

-Significa que você deve arregaçar as mangas ao menos três vezes.

-Você contratou um novo assistente depois que ficou junto com a sua antiga assistente?

-Fica difícil achar candidatos quando as pessoas sabem o que pode acontecer.


-Qual talento não desenvolvido você sente que pode vir a desenvolver?

-Ministro de Estado, técnico de futebol da Seleção Norueguesa, bailarino, bombeiro, polígamo, terrorista, Trazan, para dizer alguns.


-Você se arrepende de algo? Ou arrependimento é deperdício de energia?


-Arrependimento é uma reação que pode se repetir, mas você também pode aproveitar a oportunidade de aprender algo.

-Houve muita antenção e piadas às suas custas quando você, algumas vezes, disse coisas que voam. O que você tem a dizer sobre isso?

-Talvez isso se chame aéreo. Do contrário, me faz feliz.

-Em «Grosvold» você foi perguntado sobre como se sentia em fazer um novo álbum solo, o que levou à seguinte afirmação:
«Eu tenho estado tão concentrado agora em tantas coisas, por tanto tempo, se luta tanto por aquilo, minha maior batalha é de manter distância, para que se possa ter uma visão geral de tudo o que você realmente faz. Há muito tempo eu entendi, então, que eu entendi as coisas, que é mais importante manter a visão periférica do que o foco em si. É quando você está sintonizado com tudo. A natureza ao redor de você se comporta assim. Somos apenas nós que não o fazemos. Os animais selvagens sabem que se eles perderem a visão periférica, você pode perceber, todos os sentidos estão alertas, e eles podem ser mortos repentinamente. Eles se concentram apenas no instante, e então estão correndo de novo.»
Depois houve muita piada e risadas a respeito disso. Você não achou que foi muito confuso, quando aconteceu, e que estava se expressando de maneira não clara, e até riu um pouco de si? Ou você acha que as pessoas que ouviram já desejavam interpretá-lo mal, você merecendo ou não, porque você tem a fama de ser doido?

-Não posso dizer com muito mais clareza. Se você não entendeu, você deve tomar cuidado para não acabar morto!

-Em geral, você fala antes ou depois de pensar? Ou você pensa enquanto
fala?

-A fala é diretamente ligada ao pensamento.

-O que é mais importante na sua vida?

-Família, amigos e inimigos.

-Você ri da paródia que Kristian Valen faz de você?

-Claro!

-Houve livros escritos sobre você, e milhares de artigos nas imprensas internacional e norueguesa, há ainda algo que as pessoas não saibam sobre você?


-A maior parte das coisas.

-Eu encontrei um artigo engraçado onde você foi mencionado. ”Durante um festival de rock de Montreux nos anos 80, a jornalista-celebridade Lesley-Ann Jones e o vocalista do INXS Michael Hutchence atacaram Morten Harket em seuquarto de hotel. Mas o norueguês tinha mais vontade de ler Nitzche do que ir à festa. Vários artistas, incluindo a dupla Wham e Hutchence voltaram ao hotel, pegando vasos de plantas de todos os corredores, de todos os lados, colocaram todos os vasos no elevador e puseram uma «floresta norueguesa» na frente do quarto de Harket. Mais tarde naquela noite, a jornalista e Hutchence queriam pegar Morten Harket pelas pernas e o pendur para fora da janela, mas eles não conseguiram.”

-Eu não lembro, poque Michael Hutchence estava muito bêbado.

-Magne Furuholmen anda com o Coldplay, enquanto você anda com o presidente do Timor Leste José Ramos-Horta – como foi isso?

-Horta já foi baleado. Chris Martin não. Eu me sinto seguro ao lado de Horta.

-Você tinha planos de construir um local para férias em Timor Leste junto com o presidente. O que aconteceu com eles?

-O Timor Leste é um país fantástico, com muitas variações na natureza. Eu gostaria de poder passar meu tempo livre lá, mas não há planos para isso.

-Você ainda é engajado com a causa do Timor Leste ou você tem outras campanhas?

-Meu engajamento com o Timor Leste era meramente de caráter humanitário. As necessidades do Timor Leste mudaram, acima de tudo numa direção positiva. Hoje o emprego de recursos energéticos para o futuro é seu maior desafio. Eles tem grandes jazidas de petróleo, e ao mesmo tempo são um país que precisa construir sua infra-estrutura do nada, e eles tem uma enorme oportunidade de crescer como o primeiro país do futuro no mundo. Mas a agenda do mundo Ocidental tem envolvimento nos serviços essenciais.

-Você se sente incompreendido? Você é feliz?

-Eu me sinto incompreendido de um modo que me faz muito feliz.

 

 

 

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